Arquivo para cinema

Aruitemo Aruitemo

Aruitemo Aruitemo

Bem mais sensível do que o seu conterrâneo ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro, ‘Aruitemo Aruitemo’ (Still Walking) mostra a reunião de uma típica família japonesa do interior. O reencontro acontece no aniversário de morte do filho mais velho, Junpei, que morreu na tentativa de salvar um garoto de afogamento. O protagonista é o filho mais novo, Ryoto, aos 40, cansado de ser negligenciado pelos pais, que mesmo muitos anos depois da tragédia ainda supervalorizam o falecido primogênito, único da prole a seguir a profissão de médico do pai.

As diferenças, os costumes, os desconfortos, os valores e as relações são retratados com imensa delicadeza pelo diretor Hirokazu Kore-eda, mostrando aqui o cotidiano e o banquete de desapontamentos que definem o filme de forma poética, sem excessos ou maneirismos. Os planos são simples, mas bem enquadrados. E assim como em ‘Era Uma Vez em Tóquio’ de Ozu, ‘emulado’ aqui, aliás, não somente nesse quesito, apenas um deles se move. A mise-en-scène cuidadosa faz da casa tradicional, da cidade e até mesmo da culinária, personagens secundários que ajudam a contar a história. É um filme bonito do início ao fim. Só poderia acabar um pouquinho mais cedo. Alguns minutos a menos cortariam falas desnecessárias e deixariam o desfecho mais enxuto.

Os Incompreendidos

Antoine Doinel

- Seus pais dizem que você está sempre mentindo.
- Não, eu minto de vez em quando, eu acho.
Se eu disser a verdade eles ainda assim não acreditariam, então prefiro mentir.

Dentro de uma revolução narrativa, marcando a criação de um ‘gênero’, um personagem inesquecível do cinema francês: Antoine Doinel em ‘Os Incompreendidos’.

Primeiro longa de Truffaut, primeiro filme da nouvelle vague junto com ‘Acossado’ (Godard). Excelente. Parei pra pensar no quanto os diretores da atualidade tem que ralar para serem originais nos dias de hoje, já que filmes como este, feitos no final da década de 1950, ainda permanecem novos. A mensagem continua fresca e a técnica pouco retocável.

The Fantastic Mr. Anderson

The Fantastic Mr. Fox

Para novembro deste ano (nos EUA), a primeira animação do mais visionário entre os diretores do cinema ‘indepentende’ americano, Wes Anderson. Aqui um first look no stop motion baseado num livro de Roald Dahl: ‘The Fantastic Mr. Fox‘.

The Fantastic Mr. Fox

Uma das coisas mais legais do Wes Anderson é essa turma que sempre o acompanha: Bill Murray, Jason Schwartzman, Anjelica Huston, Own Wilson, Willem Dafoe, Adrian Brody… estão todos lá na lista de dubladores. A surpresa foi ver os nomes do Roman Coppola (co-roteirista junto com Anderson em ‘Viagem a Darjeeling’) e do Jarvis Cocker (vocalista do Pulp) com seus respectivos personagens na lista de elenco. Mas a cereja do sorvete, the cream of the crop, dessa vez é ninguém menos do que Meryl Streep, fazendo par com George Cloney, dublando Mrs. Fox. Perguntada sobre o porquê de ter aceito o convite para fazer parte da animação, a atriz, espertamente – como sempre -, respondeu: “Quando novamente eu poderei ser a Sra. George Clooney?”.

Leia o resto deste post »

A Partida

Okuribito

E já que estamos na Ásia, posto aqui um breve comentário sobre o japonês ‘A Partida’, ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro deste ano.
Gerada uma certa expectativa à partir das reações pós-Oscar, onde encontrei diversos comentários positivos de surpresa com relação a sua vitória, assisti ‘A Partida’ esperando algo um pouco diferente do que costuma ser graciado pela Academia na categoria conquistada pelo filme. No entanto, o que assisti foi a mais um típico longa estrangeiro vencedor de Oscar. Não que o filme seja ruim. O plot é interessante e o roteiro se sustenta até o fim, mesmo com suas bases melodramáticas. O tom cômico entra bem em algumas cenas e o drama também funciona em outras. Então, o que realmente me incomodou? Culpo, até o momento, a direção folhetinesca de Yojiro Takita, que conduz o filme de uma forma óbvia, segura demais. A sensação no final foi de que o longa, apesar de simpático, seria facilmente esquecido por mim, mas que poderia ter funcionado com baixa expectativa. Paradoxal?

E já que estamos na Ásia, posto aqui um breve comentário sobre ‘A Partida’, ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro deste ano.

Okuribito

Gerada uma certa expectativa à partir das reações pós-Oscar, onde encontrei diversos comentários positivos de surpresa com relação a sua vitória, assisti ‘A Partida’ esperando algo um pouco diferente do que costuma ser graciado pela Academia na categoria conquistada pelo filme. No entanto, o que assisti foi a mais um típico longa estrangeiro vencedor de Oscar. Não que o filme seja ruim. O plot é interessante e o roteiro se sustenta até o fim, mesmo com suas bases melodramáticas. O tom cômico entra bem em algumas cenas e o drama também funciona em outras. Então, o que realmente me incomodou? Culpo, até o momento, a direção folhetinesca de Yojiro Takita, que conduz o filme de uma forma óbvia, segura demais. A sensação no final foi de que o longa, apesar de simpático, seria facilmente esquecido por mim, mas que poderia ter funcionado com baixa expectativa. Paradoxal?

汾阳市-Natal

Jia Zhang-Ke

Há pouco mais de um mês desde que o Cineclube Natal, em parceria com a Aliança Francesa, fez uma escolha acertadíssima ao optar por exibir no auditório da escola de idiomas o filme ‘Plataforma’, do diretor chinês Jia Zhang-Ke. Digo que a escolha foi certeira porque uma semana antes, um dos cinemas da cidade havia exibido em sua sessão de arte o documentário ‘Inútil’, do mesmo diretor. Natal, então, foi prestigiada com a exibição de dois filmes de difícil acesso, realizados por um dos diretores da 6ª geração chinesa mais elogiados e aclamados mundialmente.

Jia Zhang-Ke ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza em 2006 com o ótimo ‘Em Busca da Vida’ e desde então tem emplacado pelo menos um filme por ano em algum dos festivais de cinema mais importantes (Cannes, Veneza), seja em competição, mostras paralelas ou simplesmente em exibições especiais. Em 2007 veio ao Brasil para uma retrospectiva de sua carreira na 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. No início deste ano, o jornal O Globo o definiu sabiamente como “um cronista dos efeitos da globalização (em especial, a ânsia pelo enriquecimento) sobre sua pátria.”.

Não é novidade nem a primeira vez que declaro aqui meu fascínio pelo cinama asiático, chinês de preferência. Nos filmes de Jia Zhang-Ke encontro uma realidade quase crua de um país gigante e em muitos aspectos, obviamente, desconhecido por mim. Assistir à qualquer um de seus filmes, por mais lentos e longos que possam ser, é desvendar mais e mais sobre a China. É como acrescentar verbetes enciclopédicos sobre o país em minha mente ou avançar para um terreno, até então impenetrável, de um game de aventura. Um prazer que não compartilho com muitos amigos cinéfilos e, aparentemente, com os cidadãos natalenses também não.

Leia o resto deste post »

Igual a Tudo na Vida

anything else

Outro dia minha irmã lembrou de mim enquanto lia um livro de crônicas da Martha Medeiros, colunista d’O Globo, chamado ‘Coisas da Vida’ (2003). Cinéfila e fã confessa de Woody Allen, Martha já dedicou várias de suas crônicas ao autor e suas obras. Nessa específica, ao filme ‘Igual a Tudo na Vida’, considerado um dos mais fracos da carreira do diretor, mas, ainda assim, apreciado pela autora e também por mim.

Mesmo tendo ciência de que certos filmes realmente não são lá grandes coisas, às vezes me deixo levar por outros fatores, além do que me foi mostrado na tela, e acabo guardando um bom sentimento com relação a algumas obras. No caso de ‘Igual a Tudo na Vida’, escolhido na locadora por ser o único do Woody em comum, não visto por quatro amigos, me deixei levar pela alegria de assistir à um filme divertido com pessoas queridas e em sintonia, rindo na mesma intensidade das mesmas piadas e se deixando afetar pelas mesmas citações life changing típicas do autor e presentes até nos longas menos importantes de sua vasta filmografia.

Ainda devo aqui no blog algo mais completo e de minha autoria sobre Woody Allen, mas, por enquanto, os deixo com a tal crônica – bastante sensível e particularmente tocante – sobre ‘Igual a Tudo na Vida’, que me fez pensar na mistura de fatores que se combinam na mente de cada um para que, afinal, se possa apreciar um filme.

Leia o resto deste post »

Bright indeed

Aqui o recém-lançado trailer de ‘Bright Star’, próximo longa de Jane Campion (O Piano), parte da lista dos filmes em competição da seleção oficial do Festival de Cannes desse ano.

Já vinham me chamando atenção as fotografias de divulgação do filme, mas o trailer me deixou boquiaberto com tantas imagens bonitas. Se o todo é ‘brilhante’ como o trailer só saberemos mais tarde. Porém, alguns críticos em Cannes afirmaram que sim, que ‘Bright Star’ is bright indeed:

“A film which I think could be the best of her career; an affecting and deeply considered study of the last years in the short life of John Keats.”

Peter Bradshaw, Guardian

No aguardo.

Top 5 Miyazaki

Hayao Miyazaki

Então… percebi recentemente que desde que inicei este blog não dediquei um post sequer à animação, que é uma das minhas paixões. Senti que estava negligenciando um “gênero” que estimo e, para corrigir o lapso, decidi fazer um top com os meus cinco filmes preferidos dirigidos por Hayao Miyazaki, respeitado diretor japonês, co-fundador de um dos estúdios de animação mais incríveis que existem, o Studio Ghibli, do qual ouço falar desde menino quando ainda comprava a Herói. Alguém há de lembrar das revistas Herói, não? Enfim.

Os filmes de Miyazaki são todos encantadores. Para apreciar suas histórias, seus roteiros, talvez seja necessário um certo gosto por animação japonesa, mas a temática do amadurecimento, do peso da responsabilidade e do companheirismo, presente em todas as suas obras, como também o seu gosto pela aviação, a preocupação com a ecologia e o contato do homem com a natureza, é fascinante. Mesmo destinados ao público infantil, seus filmes comovem qualquer adulto com um coração mole feito o meu. Além do mais, suas marcas registradas como o contorno suave, o típico character design dos seus personagens, as paisagens fantásticas e os tons pastéis, enriquecem tanto o visual, que fazem dele, sozinho, já valer uma investida nas obras do diretor.

Leia o resto deste post »

Entre os Muros da Escola

François Bégaudeau

Ser professor é tarefa para poucos. É um clichê, eu sei, mas vou começar e terminar essa resenha dessa forma que é pra deixar clara essa minha opinião, certo? E digo isso porque ‘Entre os Muros da Escola’ entra naquela categoria de filmes sobre o relacionamento entre escola, professor e aluno, já tantas vezes abordado no cinema. Nenhum deles, no entanto, trouxe de forma tão crua às telas – seco, quase documental. Trilha nem mesmo nos créditos finais – os dissabores experimentados por quem enfrenta uma sala de aula cheia de pupilos espertos, línguas afiadas, vindos de algum bairro suburbano, que torna suas existências mais complicadas e suas personalidades muito mais astuciosas.

Ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, o longa dirigido por Laurent Cantet, traz todo esse background complicado, essa complexa e clássica batalha travada numa sala de aula de uma escola pública, mas com um diferencial, só pra tornar as coisas mais fáceis: dessa vez a escola se encontra no subúrbio de Paris e a turma é formada por filhos de imigrantes. Um problema ao mesmo tempo novo e velho, já que não é a primeira vez que a França se vê diante de uma situação difícil envolvendo seu sistema educacional (vide maio de 1968). Mas essa questão da imigração é realmente delicada e, obviamente, se intensifica numa sala de aula cheia de adolescentes pertencentes a pelo menos cinco etnias diferentes.

Leia o resto deste post »

Inside all of us is a WILD THING

Where The Wild Things Are Poster

Eu sei quando um poster é bom quando me dá vontade de dar um thumbs up pro filme só por causa dele. Esse de ‘Where The Wild Things Are’ tá fantástico, não? E especialmente fofo.

Minha vontade de ver esse filme tem crescido bastante. As fotos recém-divulgadas também estão incríveis!

NÃO me desaponte, Spike Jonze! I’m telling you!

UPDATE:

Eis que surge o trailer do filme divulgado na página da Apple e, não para minha surpresa, tá fantástico! As imagens estão lindas e ‘Wake Up’ do Arcade Fire como trilha foi uma escolha acertadíííííssima!

Adoraria pôr o vídeo de alguma fonte como o YouTube aqui, mas acho que merece ser visto em boa qualidade e até o momento não encontrei algo satisfatório por lá. Então, RUN pra página da Apple agora!

Entradas antigas »