Arquivo para Agosto, 2009
Aruitemo Aruitemo
Bem mais sensível do que o seu conterrâneo ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro, ‘Aruitemo Aruitemo’ (Still Walking) mostra a reunião de uma típica família japonesa do interior. O reencontro acontece no aniversário de morte do filho mais velho, Junpei, que morreu na tentativa de salvar um garoto de afogamento. O protagonista é o filho mais novo, Ryoto, aos 40, cansado de ser negligenciado pelos pais, que mesmo muitos anos depois da tragédia ainda supervalorizam o falecido primogênito, único da prole a seguir a profissão de médico do pai.
As diferenças, os costumes, os desconfortos, os valores e as relações são retratados com imensa delicadeza pelo diretor Hirokazu Kore-eda, mostrando aqui o cotidiano e o banquete de desapontamentos que definem o filme de forma poética, sem excessos ou maneirismos. Os planos são simples, mas bem enquadrados. E assim como em ‘Era Uma Vez em Tóquio’ de Ozu, ‘emulado’ aqui, aliás, não somente nesse quesito, apenas um deles se move. A mise-en-scène cuidadosa faz da casa tradicional, da cidade e até mesmo da culinária, personagens secundários que ajudam a contar a história. É um filme bonito do início ao fim. Só poderia acabar um pouquinho mais cedo. Alguns minutos a menos cortariam falas desnecessárias e deixariam o desfecho mais enxuto.
Os Incompreendidos
- Seus pais dizem que você está sempre mentindo.
- Não, eu minto de vez em quando, eu acho.
Se eu disser a verdade eles ainda assim não acreditariam, então prefiro mentir.
Dentro de uma revolução narrativa, marcando a criação de um ‘gênero’, um personagem inesquecível do cinema francês: Antoine Doinel em ‘Os Incompreendidos’.
Primeiro longa de Truffaut, primeiro filme da nouvelle vague junto com ‘Acossado’ (Godard). Excelente. Parei pra pensar no quanto os diretores da atualidade tem que ralar para serem originais nos dias de hoje, já que filmes como este, feitos no final da década de 1950, ainda permanecem novos. A mensagem continua fresca e a técnica pouco retocável.




