Arquivo para Julho, 2009
The Fantastic Mr. Anderson

Para novembro deste ano (nos EUA), a primeira animação do mais visionário entre os diretores do cinema ‘indepentende’ americano, Wes Anderson. Aqui um first look no stop motion baseado num livro de Roald Dahl: ‘The Fantastic Mr. Fox‘.

Uma das coisas mais legais do Wes Anderson é essa turma que sempre o acompanha: Bill Murray, Jason Schwartzman, Anjelica Huston, Own Wilson, Willem Dafoe, Adrian Brody… estão todos lá na lista de dubladores. A surpresa foi ver os nomes do Roman Coppola (co-roteirista junto com Anderson em ‘Viagem a Darjeeling’) e do Jarvis Cocker (vocalista do Pulp) com seus respectivos personagens na lista de elenco. Mas a cereja do sorvete, the cream of the crop, dessa vez é ninguém menos do que Meryl Streep, fazendo par com George Cloney, dublando Mrs. Fox. Perguntada sobre o porquê de ter aceito o convite para fazer parte da animação, a atriz, espertamente – como sempre -, respondeu: “Quando novamente eu poderei ser a Sra. George Clooney?”.
A Partida
E já que estamos na Ásia, posto aqui um breve comentário sobre ‘A Partida’, ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro deste ano.

Gerada uma certa expectativa à partir das reações pós-Oscar, onde encontrei diversos comentários positivos de surpresa com relação a sua vitória, assisti ‘A Partida’ esperando algo um pouco diferente do que costuma ser graciado pela Academia na categoria conquistada pelo filme. No entanto, o que assisti foi a mais um típico longa estrangeiro vencedor de Oscar. Não que o filme seja ruim. O plot é interessante e o roteiro se sustenta até o fim, mesmo com suas bases melodramáticas. O tom cômico entra bem em algumas cenas e o drama também funciona em outras. Então, o que realmente me incomodou? Culpo, até o momento, a direção folhetinesca de Yojiro Takita, que conduz o filme de uma forma óbvia, segura demais. A sensação no final foi de que o longa, apesar de simpático, seria facilmente esquecido por mim, mas que poderia ter funcionado com baixa expectativa. Paradoxal?
汾阳市-Natal
Há pouco mais de um mês desde que o Cineclube Natal, em parceria com a Aliança Francesa, fez uma escolha acertadíssima ao optar por exibir no auditório da escola de idiomas o filme ‘Plataforma’, do diretor chinês Jia Zhang-Ke. Digo que a escolha foi certeira porque uma semana antes, um dos cinemas da cidade havia exibido em sua sessão de arte o documentário ‘Inútil’, do mesmo diretor. Natal, então, foi prestigiada com a exibição de dois filmes de difícil acesso, realizados por um dos diretores da 6ª geração chinesa mais elogiados e aclamados mundialmente.
Jia Zhang-Ke ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza em 2006 com o ótimo ‘Em Busca da Vida’ e desde então tem emplacado pelo menos um filme por ano em algum dos festivais de cinema mais importantes (Cannes, Veneza), seja em competição, mostras paralelas ou simplesmente em exibições especiais. Em 2007 veio ao Brasil para uma retrospectiva de sua carreira na 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. No início deste ano, o jornal O Globo o definiu sabiamente como “um cronista dos efeitos da globalização (em especial, a ânsia pelo enriquecimento) sobre sua pátria.”.
Não é novidade nem a primeira vez que declaro aqui meu fascínio pelo cinama asiático, chinês de preferência. Nos filmes de Jia Zhang-Ke encontro uma realidade quase crua de um país gigante e em muitos aspectos, obviamente, desconhecido por mim. Assistir à qualquer um de seus filmes, por mais lentos e longos que possam ser, é desvendar mais e mais sobre a China. É como acrescentar verbetes enciclopédicos sobre o país em minha mente ou avançar para um terreno, até então impenetrável, de um game de aventura. Um prazer que não compartilho com muitos amigos cinéfilos e, aparentemente, com os cidadãos natalenses também não.
Igual a Tudo na Vida
Outro dia minha irmã lembrou de mim enquanto lia um livro de crônicas da Martha Medeiros, colunista d’O Globo, chamado ‘Coisas da Vida’ (2003). Cinéfila e fã confessa de Woody Allen, Martha já dedicou várias de suas crônicas ao autor e suas obras. Nessa específica, ao filme ‘Igual a Tudo na Vida’, considerado um dos mais fracos da carreira do diretor, mas, ainda assim, apreciado pela autora e também por mim.
Mesmo tendo ciência de que certos filmes realmente não são lá grandes coisas, às vezes me deixo levar por outros fatores, além do que me foi mostrado na tela, e acabo guardando um bom sentimento com relação a algumas obras. No caso de ‘Igual a Tudo na Vida’, escolhido na locadora por ser o único do Woody em comum, não visto por quatro amigos, me deixei levar pela alegria de assistir à um filme divertido com pessoas queridas e em sintonia, rindo na mesma intensidade das mesmas piadas e se deixando afetar pelas mesmas citações life changing típicas do autor e presentes até nos longas menos importantes de sua vasta filmografia.
Ainda devo aqui no blog algo mais completo e de minha autoria sobre Woody Allen, mas, por enquanto, os deixo com a tal crônica – bastante sensível e particularmente tocante – sobre ‘Igual a Tudo na Vida’, que me fez pensar na mistura de fatores que se combinam na mente de cada um para que, afinal, se possa apreciar um filme.
Bright indeed
Aqui o recém-lançado trailer de ‘Bright Star’, próximo longa de Jane Campion (O Piano), parte da lista dos filmes em competição da seleção oficial do Festival de Cannes desse ano.
Já vinham me chamando atenção as fotografias de divulgação do filme, mas o trailer me deixou boquiaberto com tantas imagens bonitas. Se o todo é ‘brilhante’ como o trailer só saberemos mais tarde. Porém, alguns críticos em Cannes afirmaram que sim, que ‘Bright Star’ is bright indeed:
“A film which I think could be the best of her career; an affecting and deeply considered study of the last years in the short life of John Keats.”
Peter Bradshaw, Guardian
No aguardo.




