Arquivo para Março, 2009
Top 5 Miyazaki
Então… percebi recentemente que desde que inicei este blog não dediquei um post sequer à animação, que é uma das minhas paixões. Senti que estava negligenciando um “gênero” que estimo e, para corrigir o lapso, decidi fazer um top com os meus cinco filmes preferidos dirigidos por Hayao Miyazaki, respeitado diretor japonês, co-fundador de um dos estúdios de animação mais incríveis que existem, o Studio Ghibli, do qual ouço falar desde menino quando ainda comprava a Herói. Alguém há de lembrar das revistas Herói, não? Enfim.
Os filmes de Miyazaki são todos encantadores. Para apreciar suas histórias, seus roteiros, talvez seja necessário um certo gosto por animação japonesa, mas a temática do amadurecimento, do peso da responsabilidade e do companheirismo, presente em todas as suas obras, como também o seu gosto pela aviação, a preocupação com a ecologia e o contato do homem com a natureza, é fascinante. Mesmo destinados ao público infantil, seus filmes comovem qualquer adulto com um coração mole feito o meu. Além do mais, suas marcas registradas como o contorno suave, o típico character design dos seus personagens, as paisagens fantásticas e os tons pastéis, enriquecem tanto o visual, que fazem dele, sozinho, já valer uma investida nas obras do diretor.
Entre os Muros da Escola
Ser professor é tarefa para poucos. É um clichê, eu sei, mas vou começar e terminar essa resenha dessa forma que é pra deixar clara essa minha opinião, certo? E digo isso porque ‘Entre os Muros da Escola’ entra naquela categoria de filmes sobre o relacionamento entre escola, professor e aluno, já tantas vezes abordado no cinema. Nenhum deles, no entanto, trouxe de forma tão crua às telas – seco, quase documental. Trilha nem mesmo nos créditos finais – os dissabores experimentados por quem enfrenta uma sala de aula cheia de pupilos espertos, línguas afiadas, vindos de algum bairro suburbano, que torna suas existências mais complicadas e suas personalidades muito mais astuciosas.
Ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, o longa dirigido por Laurent Cantet, traz todo esse background complicado, essa complexa e clássica batalha travada numa sala de aula de uma escola pública, mas com um diferencial, só pra tornar as coisas mais fáceis: dessa vez a escola se encontra no subúrbio de Paris e a turma é formada por filhos de imigrantes. Um problema ao mesmo tempo novo e velho, já que não é a primeira vez que a França se vê diante de uma situação difícil envolvendo seu sistema educacional (vide maio de 1968). Mas essa questão da imigração é realmente delicada e, obviamente, se intensifica numa sala de aula cheia de adolescentes pertencentes a pelo menos cinco etnias diferentes.
Inside all of us is a WILD THING
Eu sei quando um poster é bom quando me dá vontade de dar um thumbs up pro filme só por causa dele. Esse de ‘Where The Wild Things Are’ tá fantástico, não? E especialmente fofo.
Minha vontade de ver esse filme tem crescido bastante. As fotos recém-divulgadas também estão incríveis!
NÃO me desaponte, Spike Jonze! I’m telling you!
UPDATE:
Eis que surge o trailer do filme divulgado na página da Apple e, não para minha surpresa, tá fantástico! As imagens estão lindas e ‘Wake Up’ do Arcade Fire como trilha foi uma escolha acertadíííííssima!
Adoraria pôr o vídeo de alguma fonte como o YouTube aqui, mas acho que merece ser visto em boa qualidade e até o momento não encontrei algo satisfatório por lá. Então, RUN pra página da Apple agora!
O Casamento de Rachel
De longe, uma das DRs mais abertas e honestas que eu já vi no cinema. Nunca em qualquer outro filme que tenha assistido, os personagens foram tão claros quanto a necessidade de se discutir suas frágeis e complexas relações familiares. A sinceridade de Kym, vivida por Anne Hathaway – cada vez mais cativante e competente no que faz – quando em uma certa cena diz: “Você não pode trazer esse tipo de informação no meio de uma conversa como esta” é tão marcante e forte que nos faz torcer pela personagem talvez – sim, talvez – mais desequilibrada do filme. Porque sentimos que naquele momento, e não somente, ela tem razão.
Kym é essa figura desequilibrada – devidamente, dada sua história de vida – que sai da rehab por alguns dias para ir ao casamento da irmã, Rachel, interpretada por Rosemarie DeWitt, que tomaria fácil e rápido o lugar de Taraji P. Henson (O Curioso Caso de Benjamin Button) na categoria de melhor atriz coadjuvante do Oscar, caso eu tivesse algum poder de mudar as escolhas da Academia, lógico. A forma como a personagem foi criada é, muito provavelmente, o que o filme traz de mais original. Graças ao roteiro massa de Jenny Lumet, filha de Sidney Lumet (!), e aos esforços de Anne Hathaway, Kym sempre surpreende quando mais se espera que ela vá agir como uma rebelde sem causa, mostrando-se interessada e querendo se fazer presente ao contrário da forma como o seu estereótipo, principalmente visual, indicaria que ela se comportasse. Ela foi ao casamento e quer ser notada, mas não pelos motivos óbvios.
Oscar 2009
Últimamente não tenho conseguido me concentrar para escrever aqui no Hey, Stella!, mas não poderia deixar de comentar o maior evento de cinema do ano de jeito nenhum. Entretanto, pelo atraso e falta de paciência momentânea, tentarei ser, mais uma vez, breve. E preciso tornar público que viajei durante o carnaval para um lugar onde TNT é apenas uma sigla vista impressa de vez em quando nas dinamites dos desenhos infantis. Sendo assim, enquanto eu via a Mangueira entrar pela Rede Globo (não ia perder a piada!), tive o Oscar narrado por telefone – alguns momentos em tempo real! – por amigos queridos. Para quê serve a amizade, não é mesmo?







