Arquivo para Janeiro, 2009

Milk / O Lutador / Il Y A Longtemps Que Je T’Aime

Milk

Milk

Um bom filme sobre o início da luta por direitos homossexuais que ainda dura nos Estados Unidos, tendo como pano de fundo a ascensão de São Francisco como capital gay de seu país. Milk, é meio arrastado, mas dirigido de forma brilhante. Gus Vant Sant foi bastante sensível ao captar algumas imagens. E isso aliado as pequenas ousadias narrativas presentes no longa, fez com que o visual do filme virasse, para mim, o personagem principal. O mosaico de pessoas falando ao telefone, por exemplo, ficou excelente. As cores no fundo de alguns personagens em cena são as mesmas que percorrem a fotografia do filme do início ao fim.

O Elenco do longa tá bem, mas quem se destaca mesmo é Sean Penn e seu nariz postiço. Sua interpretação é mais sutil e menos afetada do que imaginei. No entando, Frank Langella continua sendo minha atuação masculina preferida de 2008. Não entendi muito a indicações de Josh Brolin pra melhor ator coadjuvante. Não critico sua atuação, mas não vi nada demais ali, nem acho que precisava ver. Seu personagem é propositalmente meio apagado e poderia até ter aparecido menos.

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Dúvida

Doubt 1

O lado bom de subestimar um filme é que ele tem que ralar um pouco para parecer pior do que você já imagina que ele seja e, por causa disso, se torna uma surpresa fácil com poucas qualidades. Não que esse seja o caso aqui, não sei ao certo, I have such doubts. O fato é que Dúvida, foi, para mim, a surpresa da temporada. Estava até meio cético com relação as tão comentadas interpretações do filme, mas no final cheguei a conclusão que elas estão mesmo incríveis. Meryl Streep com seu sotaque do Bronx (“BOY! Come up here!“), Amy Adams e a ingenuidade em sua expressão corporal no tom certo, Philip Seymour Hoffman e seu “THAT is GOSSIP!” em uma das melhores cenas, e Viola Davis, menos de 10 minutos que lhe renderam – merecidamente – indicações de melhor atriz coadjuvante em diversas premiações. É fantástico como, mais do que qualquer outro artifício cênico utilizado pelos atores, as expressões faciais marcam as interpretações em Dúvida. Impressionante. Calados, cada um consegue mostrar em seu rosto qual o seu papel dentro das partidas de squash que constroem o filme. Sim, porque os diálogos ali não são menos agressivos e estratégicos do que raquetadas astutas.

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Indicados ao Oscar 2009

Indicados a melhor filme

Não que eu tivesse programado, mas minhas férias de verão chegaram ao fim bem no dia de ontem, quando foram anunciados os indicados ao Oscar. Ironicamente, não consegui encontrar uma TV com E! no caminho de volta para casa (yes, I tried) a tempo de acompanhar as indicações ao vivo. Anyway, de volta ao blog, seguem minhas breves impressões sobre a seleção da Academia para sua premiação anual:

Frustrante hein? Também não tinha como ser diferente, já que 2008 não foi dos melhores anos pra Hollywood (ou eu vi os filmes errados. Não descarto essa possibilidade). Foi imediata a sensação de que havia algo faltando naquela lista dos cinco indicados a melhor filme. Mas é preciso lembrar sempre que a Academia é uma instituição e segue uma certa “linha editorial”. Sendo assim, não é exatamente uma surpresa que O Curioso Caso de Benjamin Button tenha recebido 13 indicações, por exemplo. A saga do velhinho que rejuvenesce é mesmo a cara da AMPAS e, de qualquer forma, acho que o longa tem lá seus méritos, mesmo que eu não tenha curtido muito e apesar de todo o jogo e campanha por trás da premiação.

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Férias de Verão

See ya!

Notícias

Bom demais pra ser verdade?

Benjamin Button - Antes

Benjamin Button - Depois

No Hollywood Elsewhere, finalmente descobri um pouco mais sobre o trabalho incrível (mesmo! No pé da palavra) de envelhecimento e rejuvenescimento de Brad Pitt em “O Curioso Caso de Benjamin Button”.

Intrigante a questão levantada pela nota de que um dos melhores trabalhos de efeitos especiais do ano possa se tornar irreconhecível. É que, no caso, os efeitos utilizados no filme são tão bem feitos que poderiam confundir moviegoers (termo legal!) e até votantes da Academia, caso concluam que a transformação sofrida pelo ator seja, majoritariamente, fruto de um excelente trabalho de maquiagem.

De fato, os efeitos são excepcionais. Vale também dar uma olhada no slide show do New York Times (fonte das imagens acima), que mostra um pouco mais de como a coisa foi feita. Espero que não haja problemas quanto ao reconhecimento do que foi feito ali em premiações em geral. Afinal de contas, como dito sabiamente no HE, o que se espera de um bom trabalho de efeitos especiais é que não se possa indentificá-lo, não é mesmo?

PS: “O Curioso Caso de Benjamin Button” faz parte da recém-divulgada lista encurtada de aptos a competir na categoria de melhores efeitos especiais no Oscar 2009.

Isabelle Huppert presidirá o júri em Cannes

Isabelle Huppert

Primeira notícia importante relacionada ao 62º Festival de Cannes. Duas vezes graciada com a palma de melhor atriz, ex-membro do júri e até mestre de cerimônia, só faltava mesmo a Isabelle Huppert (A Professora de Piano,  8 Mulheres) presidir o júri do Festival que, segundo a própria: “[Cannes] é a porta de entrada de todas a novas idéias do mundo. Ser uma espectadora privilegiada me entusiasma”. Então tá.

Não tenho idéia do que esperar das suas escolhas. Mais próximo ao Festival a atriz deve divulgar alguma linha editorial que seguirá esse ano, como fez Sean Penn no ano passado quando anunciou, na coletiva de imprensa inicial, que os prêmios do júri comtemplariam filmes políticos.

Acho bom que mais mulheres assumam essa tarefa de presidir o júri do Festival. É curioso o fato de que poucas tenham feito isso, mas até compreensível se pensarmos na quantidade de mulheres diretoras que fizeram história, por exemplo. Num documentário dirigido pela portuguesa, também atriz, Maria de Medeiros chamado Je T’aime Moi Non Plus, lembro de um depoimento que dizia que o universo de críticos de cinema era também dominado por homens. Espero que esses quadros mudem.

Slumdog Millionaire

slumdog

Já comentei em outro post que eu tava com um pé atrás com relação a esse filme desde o buzz que ele gerou em Toronto no ano passado. Meio chato isso porque eu sempre senti dificuldade em lidar com o hype cinematográfico. É muito comum eu taxar um filme como “superestimado” por culpa das minhas expectativas ou da falação. Assistindo “Slumdog Millionaire”, tive que me policiar pra não checar cada detalhe em busca do grande filme indepentente de 2008, das características que fazem dele tão especial e me deixar levar pela história de Jamal, Salim e Latika, habitantes da antiga e suja Bombaim e atual, não menos entregue a podridão e ao caos, Mumbai. Sorte a minha, então, do filme ser tão entertaining. Não tive que me concentrar por muito tempo e, quase que inevitavelmente, me entreguei a trama.

Daí, ele é mesmo tudo isso que falam? Não exatamente. Mas Slumdog é, no mínimo, envolvente. Mesmo que pareça arrastado em um certo ponto e apesar do destino óbvio de alguns personagens, o roteiro do filme é bem original. A trajetória dos três órfãos, que crescem e se transformam no filme juntos com Mumbai, é inesperada e comovente. Já o olhar óbvio de Danny Boyle sobre a Índia, com direito a favelas imundas, Taj Mahal e call centers abarrotados, só funciona devido ao ar despretensioso que o filme tem. Não fosse isso a obra provavelmente beiraria o simplório.

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Gomorra / Caos Calmo / Il Divo

Gomorra / Caos Calmo / Il Divo

Gomorra

Me fascina essa característica, esse poder que o cinema tem de me levar a lugares surreais – digo isso pra me convencer de que o que eu vi em Gomorra é pelo menos um pouco fantasioso – e me apresentar problemas e situações verdadeiras que eu jamais imaginaria que existissem. Talvez por pura ignorância (não dizem que é uma benção?), mas a imagem que eu tinha na minha cabeça de qualquer cidade italiana passava longe das dominadas pelas Camorra, a máfia napolitana, responsável pela morte de tanta gente e tão rica que até na reconstrução do World Trade Center investiu. 

Gomorra é daqueles filmes realistas, de imagens quase cruas e meio docudrama que alguns desaprovam. Mas mesmo que esse tipo de cinema não lhe agrade, vale a pena assistí-lo pelo menos pra sacar o que acontece naquelas bandas e ver que não é só o pessoal do terceiro mundo que anda atolado na corrupção. A coisa ali anda tão complicada que, no ano passado, um informante da Camorra anunciou os planos da máfia de matar Roberto Saviano, autor do livro que serviu de base pro filme, até o Natal, fazendo o jornalista sair do país por um tempo.

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O Curioso Caso de Benjamin B.

Benjamin Button

Sério, onde foi parar a originalidade nesses grandes filmes da temporada? Não é a primeira vez que falo nisso e, se não me engano, as outras envolviam filmes americanos cotados para as grandes premiações.

Me desapontei ao encontrar a mesma sensação de “nada de novo” após assistir O Curioso Caso de Benjamin Button, que parecia promissor e foi dirigido por David Fincher, tão talentoso e em quem deposito tanta fé. Certo que não é o caso aqui de dizer que Benjamin Button mancha a filmografia do diretor, não é pra tanto. Mas, sem mencionar ainda o roteiro, quase tudo que envolve a criação desse filme sofre de uma falta de inovação absurda. Nem as bem cuidadas e executadas direção de arte e fotografia escapam da falta de originalidade da obra, que, no cinema, pouco ultrapassa o que Fitzgerald construiu no livro que deu origem ao filme e seu argumento inicial: Nascer velho e rejuvenescer ao longo dos anos, vivendo como um relógio que conta as horas de trás pra frente.

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