Arquivo para Dezembro, 2008
Melhores de 2008
Eis meu atual top 10 melhores filmes de 2008. Mas antes, preciso explicar alguns critérios de escolha que, creio eu, diferem essa lista da maioria. Levando em consideração os filmes lançados em 2008 nos seus países de origem, meu top 10 é mutável e não definitivo, pelo menos até o final do primeiro terço do ano seguinte, quando eu espero já ter visto a maioria dos filmes relevantes e prováveis ocupantes de um lugarzinho na minha lista. Por isso, criei uma Página aqui no blog para que, até lá, eu continue adicionando novos títulos ou retirando os que simplesmente amadureceram negativamente. Fato que me leva ao segundo motivo que justifica o caráter das minhas escolhas. Filmes podem crescer ou perder o sentido ao longo do tempo, estou certo? Assim, eu não conseguiria lidar com a injustiça de não ter incluído certos títulos em minha lista de melhores do ano ou ter incluído uma obra pouco memorável, que se tornou passável poucos meses depois de seu lançamento.
A Coleção Critério
Checando o Ilustrada no Cinema, no post mais recente entitulado “Três presentes que pedi a Noel“, escrito pelo Cássio Starling, me deparei com a chocante notícia do lançamento do DVD de “Chungking Express”, restaurado em alta definição, pela Criterion Collection no mercado norte-americano. Não sei como deixei escapar essa novidade relacionada a Wong Kar-Wai, que eu idolatro.
“Chungking Express” não é meu preferido do diretor, mas ainda é um filme brilhante. E a Criterion costuma dar um tratamento incrível ao seu excelente acervo de obras cinematográficas. Além de ótimos extras, no caso: comentários de um especialista em cinema oriental e um livreto com um ensaio da crítica Amy Taubin, os DVDs do selo costumam ter as melhores capas. Adorei a fotografia da Faye Wong e a escolha da fonte nessa edição!
Apenas Um Sonho
Chutando pra longe a ironia que marcou Beleza Americana, Sam Mendes volta fazendo um retrato pessimista da medíocre e frustrante vida de um casal de americanos dos anos 50. Os perfeitos Frank e April Wheeler (Leonardo DiCaprio e Kate Winslet em terra firme, dez anos depois de Titanic) são os protagonistas de fachada de Apenas Um Sonho. Sim, apenas de fachada, porque a personagem principal aqui é, na verdade, a American way of life, que todos nós lemos a respeito e estudamos nos nossos livros de história.
Em se tratando de contextualização, o filme é um retrato perfeito: businessmen vendedores de máquinas de sei lá o que, trabalhando em seus cubículos no 15º andar de um espigão qualquer, Amélias que cuidam das casas de madeira, dos gramados incríveis e põem o lixo pra fora na hora certa, e desesperança, principalmente desesperança. Os perfeitos Wheeler vivem nessa época em que era mais fácil fechar os olhos e aceitar o destino estúpido que lhes foi empurrado quase goela abaixo pela sociedade, do que lutar contra os padrões e serem tão revolucionários quanto o nome da rua em que moram, Revolutionary Road.
In Bruges
Shoot first. Sightsee later.
Outro dia eu tava afim de ver algo just for fun e optei por assistir a In Bruges, já matando dois coelhos: me divertir com um filme descompromissado, aproveitando pra entender o pequeno buzz em torno dele. Pois, acertei em cheio. Na Mira do Chefe (nome brasileiro) é divertido pacas, bem modesto – todo filmado em Bruges na Bélgica – e tem um roteiro bem escrito, fugindo de clichês, com diálogos legais. Até o Colin Farrell, que eu simplesmente não respeitava, me ganhou mais um vez depois de O Sonho de Cassandra.
Vou me isentar de maiores comentários e ficar na indicação desse filme que QUASE não se leva a sério – não é oco, resumindo-se a tiroteios e perseguições – e, assim, funciona muito bem.
Se tá sentindo falta de uma sinopse, acho suficiente dizer que In Bruges envolve assassinos se aluguel, pontos turísticos belgas e um anão americano atrevido. Fala sério e me diz se não ficou curioso!
Frost/Nixon
Quando Richard Nixon renunciou ao cargo de presidente dos Estados Unidos da América em 1974 após o escândalo de Watergate, abriu um vazio que tomou conta do país. Nenhuma viva alma americana se satisfez com o típico discurso político e estratégico feito pelo presidente dias antes da cassação do seu mandato, numa última aparição direto do seu escritório para as TVs da América. Depois dessa inesquecível saída pela tangente, era não mais do que NECESSÁRIO um novo pronunciamento de Nixon e que, assim sendo, houvessem menos desculpas esfarrapadas e um possível – e devido – pedido de desculpas pelos crimes federais e abusos de poder cometidos por ele e comprovados pelo “I see that coming“ sistema de gravação de fitas da Casa Branca.
Nesse contexto histórico firmam-se as bases de Frost/Nixon. Forte concorrente nessa temporada de premiações, o filme segue contando sobre a famosa e bem sucedida série de quatro entrevistas, recorde de audiência na televisão americana, cedidas por Richard Nixon ao então apresentador de talk show britânico David Frost, um sujeito um tanto excêntrico, sorridente e que, aparentemente, mal conseguia guardar na cabeça o que lhe era dito, passando sempre a impressão de que tudo que lhe entrava por um ouvido saia pelo outro.
Notícias
91% dos municípios do Brasil não têm cinema
Dados de um boletim do Ipea de 2006 revelaram que, naquele ano, 91,3% dos municípios brasileiros não tinham cinema. O mais assustador pra mim foi ver que em 1999 o número era de 80,9%. E não pára por aí. Os dados de 2006 também revelaram que 79% dos municípios do país não possuiam teatro ou casa de espetáculos. É surreal imaginar que num país com dimensões continentais como o Brasil, esse tipo de diversão venha se concentrando cada vez mais nas capitais. Mas também, a dinherama pra investir num espaço cultural não bate com a falta de incentivo por parte do governo e com o precário estado em que se encontra a educação no país. No wonder o panomara seja tão trágico.
Suposto Globo de Ouro de Heath Ledger gera confusão
O pai se sente no direito de recebê-lo, mas boatos dizem que a produção do filme prefere que Michelle Williams receba em nome da filha Matilda.
Para ser bem honesto, eu não sou a favor de tanto sentimentalismo em cerimônias de premiações. Me divirto bastante com várias delas, mas tenho plena consciência de que são parciais e geram um prestígio efêmero, muitas vezes distorcendo o verdadeiro sentido de se produzir uma obra cinematográfica e culpa da existência de filmes quadrados, moldados para receber os louros e dinheiro, dinheiro, dinheiro…
Sendo assim, acho tudo isso pequeno diante da perda de Heath, tão jovem e talentoso. Minha opinião final é: se alguém tiver mesmo que receber o prêmio caso ele ganhe, que suba lá o diretor d’O Cavaleiro das Trevas e faça seu discurso em nome de Ledger. Afinal de contas, muito mais do que o pai do ator ou sua ex-mulher, Christopher Nolan foi também responsável pela atuação incrível do rapaz.
Fonte: CineClick
Revelados os indicados ao SAG Awards
O Sindicato de Atores da América revelou os indicados a sua premiação anual, confirmando minhas previsões pessoais de que Doubt, líder de indicações (5, distrubuídas em 4 categorias), é um filme de grandes atuações e talvez nada mais. Viola Davis, indicada a melhor atriz coadjuvante, pelo que ouvi falar, é responsável pela melhor cena do filme.
Gostei de ver Frost/Nixon indicado a melhor elenco e me surpreendi com a presença de Slumdog Millionaire nas categorias de melhor elenco e ator coadjuvante. Não esperava também a falta de Leonardo DiCaprio para melhor ator.
A 15ª cerimônia do SAG Awards, que tem sido considerada o verdadeiro termômetro para as categorias de interpretação do Oscar, acontecerá no dia 25 de janeiro e deve ser transmitida no Brasil pela TNT como nos anos anteriores.
A Troca / Gran Torino
Quando Clint Eastwood anunciou A Troca como seu próximo filme, lembro de ter lido alguns comentários que diziam que este seria o seu filme de “horror”. Bom, após assistí-lo, creio que não dá exatamente para rotular o filme dessa forma, mas sabe que ele é até bem sombrio? A história, baseada em fatos reais, de Christine Collins, cujo filho desaparece de casa sem deixar rastros, e sua luta contra a polícia de Los Angeles dos anos 20, já carrega um climão de mistério, mas o que define a atmosfera do filme é mesmo a fotografia incrível de Tom Stern, parceiro de Clint nos últimos anos. Ele trouxe uma espécie de sépia esverdeada (improvisando) fantástica em algumas cenas.
A trilha sonora orquestrada também me chamou atenção. Excelente especialmente quando surge tênue, pontuada por sons de piano. Bem legal. O problema é que o filme não vai muito além desses atributos técnicos. É bom, mas não é lá muito memorável. Não há quase nada ali que eu já não tenha visto antes. Ponto, aliás, que parece ter sido importante durante a composição do filme, já que em alguns aspectos, no que se refere a elementos cênicos inclusos no roteiro principalmente, ele lembra antigos filmes hollywoodianos.
Happy-Go-Lucky
- Você é feliz… Na sua vida?
- Essa é uma grande pergunta.
- Não é que é mesmo?
No primeiro resumo de crítica que pode ser encontrado na página do Rotten Tomatoes dedicada a Happy-Go-Lucky (que, por sinal, encontra-se há um tempo 94% fresh), o crítico Mark R. Leeper faz a melhor descrição que eu encontrei da protagonista desse filme. Segundo ele, Poppy Cross é uma mulher que usa sua atitude solar como uma armadura contra a vida e, surpreendentemente, descobre que funciona muito bem com ela.
É a vida dessa criatura otimista ao extremo, altruísta, sorridente, saltitante e, por íncrivel que pareça, verossímil, graças ao roteiro singular e a interpretação de Sally Hawkins, que é mostrada em Happy-Go-Lucky. Tão singelo e bem feito que entrou direto para minha lista de melhores do ano.
Indicados ao Globo de Ouro 2009
Comentários rápidos sem introdução:
Tom Cruise para melhor ator coadjuvante. Fui tão indeferente com relação a Trovão Tropical esse ano que minha surpresa ao ver Tom Cruise indicado foi duplicada por nem saber que o ator fazia parte do elenco. Por alguns instantes achei que o anúncio não passava de uma piada. Shame on me. De qualquer forma, dizem que ele tá bem legal no filme.
Categoria “forte” de melhor atriz drama. Todas as performances femininas mais comentadas do ano estão ali. Não sobrou espaço pra nenhuma surpresa nem alguma atriz menos conhecida. Destaque pra Angelina Jolie, não por suas qualidades cênicas, mas pelo motivo adiante.
Queime Depois de Ler
Os Coen, eles fazem o que querem no cinema. Depois de Onde os Fracos não Têm Vez, que fez AQUELE barulho ano passado (não era pra menos), nada mais típico, diante da filmografia dos dois, do que eles voltarem com uma comédia nonsense de humor negro. E olha que o filme seguinte a OOFNTV teria uma missão difícil de superação. Se é que isso importa, para eles principalmente, cuja carreira é sintetizada por muitos como “inconstante”. Acho mesmo é que a dupla lá não tão nem aí pra essa balela. Mesmo que subir no palco do Oscar para receber os prêmios e não dizer nada, para mim, diga o contrário.
Queime Depois de Ler é legal. É engraçado, tem um texto bom, boas atuações (apesar de John Malkovich se repetindo). Também é bem dirigido, claro, e o roteiro satiriza filmes de espionagem, cheio de referências sutis a outros filmes do gênero, mostrando agentes da CIA em situações ridículas, completamente inusitadas. Até porque temos ali uma gama de personagens losers que não é brincadeira. Um agente recém-demitido, outro que nunca usou a arma em anos de trabalho e instrutores de academia pouco inteligentes (pra não dizer o pior).
No final das contas acho que só faltou um click. Quem sabe ele não melhora com o tempo. Acontece bastante comigo.
PS: Frances McDormand, que interpreta um dos instrutores de academia surreais, foi indicada hoje ao Globo de Ouro na categoria Melhor Atriz Coadjuvante.










