É justo começar com Woody né?
Faça o teste: procure uma foto atual de Woody Allen e assista a Vicky Cristina Barcelona ou vice-versa. Como é que um velhinho de 73 anos fez um filme tão sexy e, em alguns momentos, tão vibrante? Fato é que Allan Stewart Königsberg renovou seu estilo no 40º filme! Isso não é o máximo?
VCB é exemplar único na filmografia de WA. Não há ali uma piada se quer com judeus, o jazz foi substituído pelo violão espanhol e a personagem mais neurótica do filme, Vicky, alter-ego de Woody, não chega nem perto do nível de neurose a que estamos acostumados a receber do diretor. Claro que a atuação de Rebecca Hall ajuda. Ela poderia ter caído, como muitos outros, na bobagem de imitar o próprio Woody, mas felizmente não foi o que aconteceu. E, pra deixar claro, não que outros filmes do diretor já não tenham cortado os elementos que citei acima, mas aliado a outros fatores como as próprias locações, já que o filme se passa todo na Espanha, tornam ele realmente diferente dos outros. Porém, a narração em off tem o selo de qualidade Woodyish. Tornando-se assim, dentre as características recorrentes do diretor presentes no filme, a mais marcante.
Achei o Elenco bem afinado. Finalmente Scarlett Johansson fez outra coisa legal. Eu, sinceramente, tava pra decretar a falta de talento da menina, mas ela tá perfeita nesse filme. Talvez porque o papel exigia uma certa inexpressividade e palidez que se encaixaram bem com o perfil dela. Fico da dúvida se credito essa boa atuação a direção Woody eu não, já que em Scoop… aquilo lá não rolou.
Parágrafo dedicado a Penélope Cruz: UAU! E eu nem sou fã dela assim, mas a Maria Elena dela é um absurdo. A última vez que senti uma empatia forte assim com um personagem meio cômica, meio louca foi com a Miranda Priestley de Meryl Streep em O Diabo Veste Prada. Explosiva, doida, inconstante, sexy e extremamente cativante. Torço muito por uma indicação a melhor atriz coadjuvante no Oscar do próximo ano.
Quanto ao roteiro, ele não é perfeito. Não é bom do início ao fim e em alguns momentos chega a ser meio entediante. Mas só em alguns momentos mesmo. Em sua maioria é excelente. Gostei muito do tema e do tratamento dado pelo diretor. Li em algum lugar que não me recordo, que o filme é baseado em triângulos e isso fez realmente muito sentido. Vicky Cristina Barcelona, Vicky Cristina Juan Antonio, Cristina Juan Antonio Maria Elena, Juan Antonio Maria Elena Barcelona…
É engraçado pra mim, que não vivi algo próximo a maioria das situações propostas ali, me sentir tocado pelo filme. Mas foi isso… saí do cinema com uma inveja da leveza como a vida foi mostrada ali, da forma como Vicky fica perturbada por uma paixão, mas consegue esquecer os problemas se dedicando ao mestrado e como Cristina não se descontrola com as próprias inseguranças e simplesmente segue em frente no melhor estilo “life goes on”.
Ah, a Espanha também tá incrível no filme! Não só Barcelona, mostrada com um destaque especial pra arquitetura de Gaudí, mas também o interior do país. Oviedo e todas aquelas trilhas que os personagens atravessam de bicicleta, parando pra colher amoras, são tão charmosas que parece até jogo baixo pra conquistar o espectator. E se for, qual o problema não é mesmo?
PS: Eu tinha uma meta de ver todos os filmes do Woody Allen antes que Vicky Cristina Barcelona chegasse em Natal. I failed. Ainda faltam 5. E fica aqui um apelo: se alguém tiver Shadows and Fog ou souber onde posso encontrar, let me know!




eu tambem sai do filme conquistada, e com uma certa inveja. Queria conseguir levar certas situações com a naturalidade que o filme leva. As situações são charmosas e bizarras ao mesmo tempo, e tudo é jamais pesado demais. Woody Allen é um diretor que ainda não me decepcionou e to com medo de virar fã tambem, heheh